Jovem servidora do município fala de estigma, vaidade feminina e lições da profissão

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Jovem servidora do município fala de estigma, vaidade feminina e lições da profissão


Gari compartilhou os primeiros anos de trabalho ao lado do pai

Porto Velho, RO - Com 28 anos, a gari Paulina Carvalho tem a nobre missão de embelezar uma das avenidas mais movimentadas da zona Leste de Porto Velho. É durante a noite que ela e mais dois companheiros trabalham em um trecho da avenida Amazonas, varrendo e recolhendo resíduos descartados incorretamente por parte da população.

Jovem e vaidosa, Paulina quebra muitos tabus que parte da sociedade ainda insiste atribuir à profissão de agente de limpeza. Ao driblar tudo isso, a jovem afirma sobrar lições e aprendizados que somente este ofício pode trazer.

“Eu trabalho com colegas que são bem mais experientes que eu. Todos os dias é um aprendizado novo. Costumo dizer que ser gari não é só sobre varrer ruas, mas cuidar de vidas, pois, querendo ou não, nosso trabalho influencia muito na saúde pública”, declara Paulina.

"Me tornei gari da Prefeitura de Porto Velho em janeiro de 2016”, lembra.



Paulina diz que a experiência dos colegas é um aprendizado diário para elaA profissão não é novidade para Paulina. O pai dela também é gari no município e, por isso, relata não ter sofrido resistência por parte da família. Ainda assim, precisou driblar o estigma de amigos e conhecidos, algo que em nenhum momento a fez pensar em desistir da conquista.

“É uma função complicada e gratificante ao mesmo tempo. Muita gente critica nosso trabalho, tem pessoas que até descem da calçada para não ter que passar por nós. Não vou esconder que no início fiquei um pouco tímida, mas como fui trabalhar diretamente com o meu pai senti uma segurança maior. Hoje trabalhamos em turnos e lugares diferentes, mas as lições dele permanecem comigo”, declara.

LIÇÕES E CONQUISTAS

Entre os principais atrativos para iniciar a carreira de gari, Paulina destaca a estabilidade do cargo, uma garantia que ela precisa conquistar para dar conta da família que estava construindo.



A servidora diz que a profissão a fez conquistar estabilidade para sustentar a família“Eu fui mãe aos 17 anos e precisava ter garantias de renda para o meu filho, uma coisa fixa, além de poder correr atrás dos meus objetivos, como os estudos. Desde então, com o suor do meu trabalho, tive várias conquistas materiais para mim e minha família”, lembra.

Paulina lembra de um outro episódio que chamou bastante sua atenção. É que a jovem gari precisou quebrar outro tabu envolvendo a vaidade feminina das mulheres que trabalham como agente de limpeza urbana.

“Lembro de uma moradora que ficou surpresa ao me ver trabalhar maquiada. Sobre isso, acredito que a nossa vestimenta de trabalho não influencia nosso rosto, nosso cabelo. Não vou deixar a vaidade feminina de lado só por exercer a função de gari”, afirma.

Para Paulina, a data dedicada ao “Dia do Gari”, 16 de maio, vem não somente para honrar o esforço e dedicação desta classe, mas também para orientar e educar a população em geral sobre a importância dessa profissão para o dia a dia da cidade.

“Aos meus colegas de trabalho eu quero dizer que sinto muito orgulho e dignidade em compartilhar essa farda com vocês. Já à população peço mais humildade. Vamos dar um bom dia, uma boa noite, porque nós também somos cidadãos e merecemos respeito”, finaliza.



Fonte: Superintendência Municipal de Comunicação (SMC)

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